quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Reconhecer as coisas boas







Sibélia Zanon
Durante alguns meses, segui uma sugestão e fiz um diário de gratidão, anotando a cada noite, em um caderno especial, as cinco coisas pelas quais eu poderia agradecer naquele dia.
Nos dias difíceis, a tarefa parecia mais complicada porque o pensamento não achava atalho para mudar de sintonia. Mas depois de um tempo, notei que sair de um ciclo costumeiro e buscar as coisas boas tinha um impacto real na minha forma de avaliar o dia. Segundo Sarah Ban Breathnach, “reconhecer permanentemente o que está funcionando nas nossas vidas pode nos ajudar não apenas a sobreviver, mas a superar as dificuldades”.
Reconhecer o que funciona e fazer uma lista de coisas boas é quase um ato de rebeldia nesses tempos, em que reclamar tornou-se hábito social.
E quanto desse hábito já incorporamos no nosso cotidiano sem refletir? Enquanto se reclama da chuva, pouco se pensa no que significa o fato de ela cair. Quantas vezes na vida já reclamamos da chuva? E quantas vezes agradecemos pela água?

terça-feira, 4 de julho de 2017

Acertos e Erros

Sibélia Zanon

Faz algumas semanas dirigi 30 km, por uma hora, à noite, para ir a um curso que começaria naquela terça. Quando cheguei à recepção do instituto, 15 minutos antes do início, a recepcionista disse que o curso só começaria na semana seguinte. Ela desfilou uma lista de justificativas para o fato de não ter me avisado em tempo e, assim que a lista acabou, eu fui embora.
Fui embora com a mania daqueles que escrevem e querem editar o texto sempre uma vez mais. Naquela ocasião, eu queria editar o episódio. Na minha ficção, a recepcionista pediria desculpas e me convidaria para conhecer o instituto e para tomar uma água.
Mas a vida é real e nem sempre admite edições. Na vida real, aprendemos desde pequenos que é feio errar, que devemos ganhar e acertar e que o erro é sinônimo de fracasso. O erro raramente é apoiado como parte de um processo que poderá levar ao acerto. Assim, pedir desculpas significa assumir uma responsabilidade ou um erro e isso pode ter um preço. Mas será que temos pensado no preço de não assumi-los? Já escutei adultos falando para crianças que desculpa e obrigada são palavras mágicas. Eu acho que eles têm razão.
Basta imaginar o que é dirigir um carro sem amortecedor e depois dirigir outro com. Pedir desculpas funciona como um amortecedor das relações, algo que nos torna mais humanos, fortes por assumirmos nossa vulnerabilidade, mais aconchegantes e acolhedores.
E qual o preço de sermos aconchegantes e acolhedores? Qual o preço de assumirmos que somos pessoas em processo de aprendizagem que podem falhar? Não importa, porque certamente mais alto é o preço de se sentir permanentemente impotente, incapaz e sem a coragem de assumir quem se é.
Talvez posicionar-se perante o outro, aceitando os próprios acertos e erros, seja um preço justo a pagar para tornar-se uma pessoa mais potente e para que as crianças finalmente entendam, por exemplos práticos e não apenas no discurso, o quanto as palavras podem ser mágicas.


sábado, 3 de junho de 2017

Leopoldina


Roselis von Sass propõe ler o Brasil de forma espiritualizada e efetua um exame detalhado dos fatos que antecederam a Independência do Brasil e culminaram com a emancipação política do país.
Jovem, Maria Leopoldina, princesa da Áustria, viu-se conduzida a um mundo distante – o Brasil. Tornou-se a primeira mulher a ter seu papel político reconhecido no país.
Pode-se dizer que a educação que a princesa recebeu na Áustria foi uma educação-modelo para a sua época. Faziam parte de seus estudos: leitura, escrita, aritmética, alemão, francês, italiano, latim, desenho, pintura e música. Leopoldina era especialmente interessada em mineralogia, botânica, ciências naturais, astronomia e física, tendo ainda talento para a música e a pintura.
Em diversos momentos na sua formação, ela teve a atenção voltada para o Brasil. Inicialmente, aos 10 anos, por conta de um professor de religião, padre jesuíta vindo de Roma, que contava sobre as perseguições aos jesuítas no Brasil, sobre o Descobrimento e a perseguição aos índios. Leopoldina sentia-se atraída por aqueles relatos e passou a conhecer a História do Brasil melhor do que qualquer pessoa na Áustria.

Junto a seu crescimento intelectual, ela passava interiormente por importantes experiências. Quando criança, pôde ver sua mãe falecida em algumas ocasiões. As suas narrativas a este respeito geravam estranheza e certa repulsa nos mais velhos.
Mas aquelas visões tiveram importante influência em sua vida, pois foi dessa forma que ela passou a compreender que as pessoas não morriam realmente, porém “se arrastavam para fora do casulo”. Assim a menina comparava a morte do corpo humano físico com a transformação vivida pelas borboletas.
Naquelas ocasiões, sua mãe aparecia sempre envolta em uma luz azul-clara, e mais tarde Leopoldina viu aquela mesma luz em momentos decisivos e fundamentais de sua vida, podendo confiar nos auxílios que surgiram.
Quando a princesa Leopoldina chegou ao Brasil, tinha 20 anos de idade. Por todo o período em que esteve no país, lutou junto a grandes personagens pela Independência. A vida difícil ao lado de Dom Pedro nunca se constituiu em empecilho para suas importantes realizações. Leopoldina segui sempre em frente, guiada por grandes objetivos.

Uma das personagens mais importantes de nossa história, Leopoldina trouxe, na sua comitiva, cientistas e artistas; no seu espírito, esperança e missão. O grande poder de decisão e a perseverança da Imperatriz influenciaram na formação de novos caminhos para o país, culminando com o famoso grito da Independência.